O debate
sobre a privatização da CEDAE desconsidera as particularidades de cada
município atendido pela estatal
A seccional
da OAB-RJ instituiu o Fórum de Recursos Hídricos e Saneamento, e participou com
protagonismo da audiência pública sobre a crise da CEDAE, promovida pela Assembleia Legislativa do RJ, entrando de maneira efetiva e combativa nesta
crise...
...em um
momento que a estatal vem causando sérios transtornos em diversos municípios no
estado do Rio de Janeiro, a Ordem dos Advogados do Brasil do RJ quer levar esse
debate em todos os municípios do estado, para discutir o tema norteado pela
particularidade de cada cidade, conforme salientou dr. Alfredo Hilário,
Procurador Geral da OAB-RJ...
...em uma
breve conversa que tivemos por telefone sobre o tema e a participação da ordem,
antecipando ele que irá acionar todas as subseções do estado para entrarem na
empreitada em busca de soluções que garantam a segurança hídrica para todos.
O tema
envolvendo a privatização da estatal de captação/tratamento/distribuição de
água potável é complexo, e está sendo conduzido pelos veículos da imprensa como
se apenas o sistema da região metropolitana do Rio de Janeiro estivesse sendo
negociado, desconsiderando totalmente a realidade da empresa pública nas demais
regiões e municípios...
...como no
caso de Bom Jesus do Itabapoana, onde a estrutura operacional da CEDAE está
completamente sucateada e onerosa para qualquer empresa privada que visa antes
de mais nada o LUCRO, deixando indefinido o futuro hídrico no caso de se
consumar a privatização...
...que pode
levar a vencedora da concorrência pública a desfazer de sua estrutura em BJI
para outra empresa, pois aqui a operação é deficitária por conta de alguns
fatores reversíveis com INVESTIMENTOS, como o ponto de captação ser abaixo da
estação, gerando gasto de energia para bombear a água, e com o agravante de ser
em local assoreado com a água leitosa e pesada...
...fazendo
com que se gaste mais energia ainda, e o pior, o local onde se capta a água
está entre diversos pontos de despejo de esgoto sem tratamento, o que leva ao
uso de produtos químicos em alta escala para purificar a água, tornando ainda
mais caro o tratamento...
...considerando
ainda o fato do local da estação e seus reservatórios ser mais baixo que muitas
localidades altas de Bom Jesus, como Castelo Branco, Bairro Novo, Lia Márcia
parte alta, Monte Calvário e alto Santa Rosa, gerando gasto de energia para bombear a água tratada para essas comunidades.
Outro ponto
que se tornou um gerador permanente de prejuízo para a CEDAE em Bom Jesus do
Itabapoana está em sua rede de distribuição ser majoritariamente de AMIANTO, e
em estado avançado de deterioração a mesma apresenta pequenos vazamentos em praticamente
todas as ruas...
...provocando
um desperdício de água tratada constante e sem a menor condição de ser
monitorado, pois são pequenos vazamentos que somente são reparados quando
compromete o pavimento da rua, conforme testemunhados diariamente a equipe da
estatal fazendo reparos na cidade...
...sem
contar que o material dessa tubulação é comprovadamente cancerígeno e proibido
no Brasil, fazendo com que a empresa vencedora da privatização tenha que
substituir toda rede imediatamente, e isso não passa de utopia em tempos atuais,
onde somente se privatiza o que se obtém lucro e rentabilidade imediata.
O cenário se
torna sombrio em nosso futuro, quando acompanhamos o noticiário sobre a
privatização da CEDAE com o próprio governo do estado promovendo o sucateamento
da estatal desde do primeiro governo Sergio Cabral, ao mesmo tempo que
precisamos de investimentos em Bom Jesus do Itabapoana...
...que
renovou o contrato de concessão do serviço com a estatal em 2011, com cláusulas
aviltantes ao interesse do município, e o pouco que se esperava da CEDAE não
foi investido conforme alardeado pela ex-prefeita Branca Motta na época...
...o que faz
da audiência pública que será realizada na Câmara de Vereadores no dia 17/02 crucial, para esclarecer quais as perspectivas de investimentos em Bom Jesus do
Itabapoana mediante esse cenário de liquidação da empresa pública, os
vereadores devem se inteirar sobre a conjuntura atual para fazer dessa audiência
algo realmente efetivo na busca de soluções.





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