Mesmo com uma carreira profissional brilhante na capital
federal, ele jamais deixou de lembrar do Hospital São Vicente de Paulo
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| Foto: Blog Jornal o Norte Fluminense |
Em homenagem póstuma a um dos maiores amigos de meu saudoso
pai, que teve sua passagem noticiada por uma de suas filhas no Facebook...
...reproduzo a seguir alguns trechos de uma reportagem
biográfica de Cleber Coimbra veiculada no jornal O Norte Fluminense, em celebração ao seu aniversário em 2018:
A INFÂNCIA E A JUVENTUDE
(...) "Fui moleque de rua terrível em Mimoso, pois com 12 a 14 anos, furtava frutas em todos os belos pomares que os ricos tinham naquela cidade. E ia vender nos trens da Leopoldina que lá passavam todos os dias. Aprendi com um alemão fugido da guerra ('Seu' Guilherme, Kraul, um gênio) a guardar frutas verdes e madura na hora certa(enterrá-las, embrulhadas, perto de carbureto e areia de praia). Na hora que o trem chegava só eu tinha fruta diferente. Vivia tão mordido por cães que tomei vacina por vários anos.
Os farmacêuticos que me costuravam (Dr. Cisne e Assad Nassur) faziam isto a frio e eu não tomava jeito. Fui radialista, tomava conta do serviço de divulgação (alto falantes, depois radio Mimoso do Sul, ZYL 9), transmitia futebol, fazia abertura de comícios, cantava bingos no clube local. Este fato foi que arrumou minha vida. Decorei os números das 120 cartelas e não deixava ninguém dar barrigada. Os velhinhos me adoravam. Todos os sábados tinha bingo".(...)
(...) "Fui moleque de rua terrível em Mimoso, pois com 12 a 14 anos, furtava frutas em todos os belos pomares que os ricos tinham naquela cidade. E ia vender nos trens da Leopoldina que lá passavam todos os dias. Aprendi com um alemão fugido da guerra ('Seu' Guilherme, Kraul, um gênio) a guardar frutas verdes e madura na hora certa(enterrá-las, embrulhadas, perto de carbureto e areia de praia). Na hora que o trem chegava só eu tinha fruta diferente. Vivia tão mordido por cães que tomei vacina por vários anos.
Os farmacêuticos que me costuravam (Dr. Cisne e Assad Nassur) faziam isto a frio e eu não tomava jeito. Fui radialista, tomava conta do serviço de divulgação (alto falantes, depois radio Mimoso do Sul, ZYL 9), transmitia futebol, fazia abertura de comícios, cantava bingos no clube local. Este fato foi que arrumou minha vida. Decorei os números das 120 cartelas e não deixava ninguém dar barrigada. Os velhinhos me adoravam. Todos os sábados tinha bingo".(...)
(...)Eu já alfabetizava atiradores do
Tiro de Guerra desde os 16 anos. Mimoso tinha um José Loreto, um militar
admirável que para me conseguir certificado de segundo, me deu essa função.
Muito bem. Franci me pegou por 6 meses e me fez estudar dia e noite com ele,
matemática(eu era péssimo), português (fraco) mas excelente em línguas, datilografia,
contabilidade (estava me formando). Ele me levou a fazer concursos no Rio e S.
Paulo, na época havia muitos. Sem ninguém saber."
"Nesta época eu prestei serviços a rádios famosa da época, Continental do Rio, Cultura e Tupi de S Paulo, etc. e consegui passar em vários concurso (Banespa, BEG, Bco Moreira Salles, Linha M de Navegação), etc em boa posição em todos. Mas como não tinha idade, 18 anos, só podia fazê-los com o certificado de segunda. Em 1957, ele me fez fazer o de S. Paulo e de Mimoso (um parente, Alberto Cunha, pai do Carlos Alberto, que foi até governador do Espírito Santo e lá reside até hoje, uma figura humana maravilhosa com sua esposa Beth). Foi a maior surpresa, passei nos dois, num deles em segundo lugar. De noite para o dia, de moleque de rua, virei figura que até o prefeito local e a banda de musica homenageou quando cheguei na cidade. Tudo mudou daí para a frente.
Um grande amigo que reside no Bom Jesus, talvez o maior atleta que conheci no interior, 'seu' Franco de Freitas Brochado, marido da abençoada da. Alice, me ensinou a fazer Imposto de Renda. Seu pai, 'seu' Zinho, foi um dos meus pais de reserva, sempre me dando bons conselhos, me vigiando. Ao fazer 18 anos comecei a trabalhar no Banco do Brasil e virar gente. Com dois anos, por conhecer tudo de roça (meu padrinho era o maior fazendeiro da região e me ensinava tudo), fui trabalhar na CREAI, antigo nome da Carteira Rural do BB."(...)
"Nesta época eu prestei serviços a rádios famosa da época, Continental do Rio, Cultura e Tupi de S Paulo, etc. e consegui passar em vários concurso (Banespa, BEG, Bco Moreira Salles, Linha M de Navegação), etc em boa posição em todos. Mas como não tinha idade, 18 anos, só podia fazê-los com o certificado de segunda. Em 1957, ele me fez fazer o de S. Paulo e de Mimoso (um parente, Alberto Cunha, pai do Carlos Alberto, que foi até governador do Espírito Santo e lá reside até hoje, uma figura humana maravilhosa com sua esposa Beth). Foi a maior surpresa, passei nos dois, num deles em segundo lugar. De noite para o dia, de moleque de rua, virei figura que até o prefeito local e a banda de musica homenageou quando cheguei na cidade. Tudo mudou daí para a frente.
Um grande amigo que reside no Bom Jesus, talvez o maior atleta que conheci no interior, 'seu' Franco de Freitas Brochado, marido da abençoada da. Alice, me ensinou a fazer Imposto de Renda. Seu pai, 'seu' Zinho, foi um dos meus pais de reserva, sempre me dando bons conselhos, me vigiando. Ao fazer 18 anos comecei a trabalhar no Banco do Brasil e virar gente. Com dois anos, por conhecer tudo de roça (meu padrinho era o maior fazendeiro da região e me ensinava tudo), fui trabalhar na CREAI, antigo nome da Carteira Rural do BB."(...)
BOM JESUS DO ITABAPOANA
Em Bom Jesus fui fiscal e posso ser
um dos responsáveis pelo inicio de débâcle das usinas (historia a contar à
parte); De Bom Jesus, após varias missões onde peguei nome, fui ser adjunto de
gerência em Guaçuí, de onde fui requisitado para a capital federal. Varias
idéias que eu tinha colocado com os inspetores (maluquices que só a turma do BB
sabe, não procurar diferenças, não conferir cheques, mudar sistema de inspeção,
etc) me deram nome no Distrito Federal."
"Tive um acidente grave na estrada Calçado Bom Jesus, fiquei paralítico e condenado a não mais andar (perdi três vértebras inteiras que foram feitas com ossos do meu quadril e duas barras de titânio que descem do pescoço até embaixo). Fiquei ano e meio tratando na rede Sarah. Era para me aposentarem, mas foi uma briga continuar. O Presidente da época, Sr Colin, quis conhecer quem perdeu grandes benefícios não saindo do BB. Ficou surpreso ao saber que eu já ajudava a fazer o Imposto de Renda dele e outros chefões. Com a entrada do Camilo Calazans de Magalhães no lugar dele (talvez a maior figura humana que conheci dentro do BB e o melhor presidente que tivemos ate hoje) fui requisitado para ficar como secretário dele.
Nesta época já era auditor nomeado, em área que fui parcela de ajuda na sua criação (Auditoria do BB) onde tive notáveis mestres (Marcelo Castelo Branco, Clovis, Lauro Rodrigues, um gênio. José Wilson Gurgel (outro), João Ramos, Luiz Dalton, Jaime Turra, conterrâneo, a quem devo muito, Delane, e muitos outros), subi na carreira. Fui um dos malucos que ajudou a criar a Fundação Banco do Brasil e também a Anab (nossa Associação que é um portento, apesar de hoje ser uma vergonha)".
FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL E HOSPITAL SÃO VICENTE DE PAULO
"E acreditem os primeiros auxílios concedidos pela fundação, foram para nossa Bom Jesus do Itabapoana, num trabalho inesquecível do Moacir Valinho Xavier, Quintino Carlos, Álvaro Moreira – (a quem devo finezas incríveis), Nelson Motta – um segundo pai-, Carlos Garcia e vários outros. Na época, foi a única entidade que recebeu dois auxílios, porque um dos membros dela, José Honório, eu levei ai e ficou conhecendo o que era “puaia” e tornou-se amigo do hospital e da região.
Foi a região que mais auxílios recebeu da Fundação, graças a essa pessoa e também a Moacyr Valinho, que montava todos os pleitos pelas varias madrugadas, ele trabalhou dois, três dias sem dormir, fazendo os processos. Jamais, na vida, conheci outra figura igual. Ele foi o menor de tudo que saiu, na época para a região. Dr Renam, um dos grandes amigos que tenho ai nessa região, foi outra figura notável nessas ajudas. Enfim. Bom Jesus é algo diferente de tudo.
Para terem uma idéia, Mimoso, minha terra, tive de ir lá seis vezes (sair do DF na época era sufoco). Eu havia destinado dez auxílios para a cidade, todos deferidos. Só consegui colocar um, mesmo assim, tendo de brigar com autoridades da cidade. Se não fosse um funcionário de nome Giovani Guarçoni, com a ajuda do meu primo Carlos e do Fernando Rezende, então prefeito, nem isto tinha conseguido. Minha terra é fogo, a política local de lá, não melhora nunca. Dá pena. Vou parar por aqui, pois gastaria horas, descrevendo todo o meu trajeto desde jovem, nas rádios, indo a muitas Copas do Mundo (pondo as camisas do BB, amarelas, desde 1982, na Espanha, nos estádios) e outras doideiras mais".
MENSAGEM
FINAL"Tive um acidente grave na estrada Calçado Bom Jesus, fiquei paralítico e condenado a não mais andar (perdi três vértebras inteiras que foram feitas com ossos do meu quadril e duas barras de titânio que descem do pescoço até embaixo). Fiquei ano e meio tratando na rede Sarah. Era para me aposentarem, mas foi uma briga continuar. O Presidente da época, Sr Colin, quis conhecer quem perdeu grandes benefícios não saindo do BB. Ficou surpreso ao saber que eu já ajudava a fazer o Imposto de Renda dele e outros chefões. Com a entrada do Camilo Calazans de Magalhães no lugar dele (talvez a maior figura humana que conheci dentro do BB e o melhor presidente que tivemos ate hoje) fui requisitado para ficar como secretário dele.
Nesta época já era auditor nomeado, em área que fui parcela de ajuda na sua criação (Auditoria do BB) onde tive notáveis mestres (Marcelo Castelo Branco, Clovis, Lauro Rodrigues, um gênio. José Wilson Gurgel (outro), João Ramos, Luiz Dalton, Jaime Turra, conterrâneo, a quem devo muito, Delane, e muitos outros), subi na carreira. Fui um dos malucos que ajudou a criar a Fundação Banco do Brasil e também a Anab (nossa Associação que é um portento, apesar de hoje ser uma vergonha)".
FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL E HOSPITAL SÃO VICENTE DE PAULO
"E acreditem os primeiros auxílios concedidos pela fundação, foram para nossa Bom Jesus do Itabapoana, num trabalho inesquecível do Moacir Valinho Xavier, Quintino Carlos, Álvaro Moreira – (a quem devo finezas incríveis), Nelson Motta – um segundo pai-, Carlos Garcia e vários outros. Na época, foi a única entidade que recebeu dois auxílios, porque um dos membros dela, José Honório, eu levei ai e ficou conhecendo o que era “puaia” e tornou-se amigo do hospital e da região.
Foi a região que mais auxílios recebeu da Fundação, graças a essa pessoa e também a Moacyr Valinho, que montava todos os pleitos pelas varias madrugadas, ele trabalhou dois, três dias sem dormir, fazendo os processos. Jamais, na vida, conheci outra figura igual. Ele foi o menor de tudo que saiu, na época para a região. Dr Renam, um dos grandes amigos que tenho ai nessa região, foi outra figura notável nessas ajudas. Enfim. Bom Jesus é algo diferente de tudo.
Para terem uma idéia, Mimoso, minha terra, tive de ir lá seis vezes (sair do DF na época era sufoco). Eu havia destinado dez auxílios para a cidade, todos deferidos. Só consegui colocar um, mesmo assim, tendo de brigar com autoridades da cidade. Se não fosse um funcionário de nome Giovani Guarçoni, com a ajuda do meu primo Carlos e do Fernando Rezende, então prefeito, nem isto tinha conseguido. Minha terra é fogo, a política local de lá, não melhora nunca. Dá pena. Vou parar por aqui, pois gastaria horas, descrevendo todo o meu trajeto desde jovem, nas rádios, indo a muitas Copas do Mundo (pondo as camisas do BB, amarelas, desde 1982, na Espanha, nos estádios) e outras doideiras mais".
"Agradeço qualquer espaço que este jornal vá abrir, mas irão sintetizar, eis que a vida do capixaba maluco, amante das Bom Jesus, além disso, sou cidadão de muitas cidades dessa região, MG, ES... acho que cumpri a função que Deus me destinou... O bom foi ter conhecido Bom Jesus, ter convivido com um Posto sem igual, meus três filhos ai nasceram nas mãos do Dr Ruy Pimentel, Cesar Abelha, Dr Seródio... foram cuidados por Dr Ary Lima e Dr. Waldyr (que figura doida meu deus) e ter conhecido o melhor futebol do interior brasileiro, acho que fui o único cidadão que foi diretor do Olimpico e do Progresso, onde formei meus filhos e tive a maior ajuda, de todos os tipos, espiritual, material e de amizade que um cidadão pode receber. Continuo sempre dando todo apoio a nossa região, a Itaperuna (RJ) e Calçado (ES), mas hoje sou fichinha dentro deste horrível panorama político brasileiro atual, onde a corrupção impera, as tais ONGs envergonham o pais, e onde jamais os corruptores vão para a cadeira. Nem aparecem.
Tudo está falido neste pais, Executivo, Judiciário, e principalmente o Legislativo. Não há nacionalismo, só há gente pensando em encher os bolsos, se locupletar. Infelizmente somos um pais que está dando uma sorte imensa, dentro de um cenário mundial terrivelmente perigoso, mas que tem memória semanal. Aqui a mídia faz o que quer, eleva e derruba qualquer cidadão,roubam, os próprios dirigentes nunca sabem de nada e só a vergonha de ver seis ministros defecados em tão pouco tempo, nenhum na prisão, enoja a qualquer cidadão honesto. Tenho pena desta geração, mas tenho esperanças nos jovens que vão fazer o futuro.


Fred, Em nome de minha mãe Hilda, meus irmãos Alana e Cleber Jr, e netos e bisneto Cleber, agradecemos de coração e emocionados tão bela, justa e sincera homenagem a meu querido pai ! Apear de a anos aqui no DF, nunca deixamos de nos sentir bonjesuenses, terra esta que meu pai carregava no coração e nos ensinou a amar. Novamente nosso muito obrigado a voce e a todos os bonjesuenses, sejam do Itabapoana ou do Norte, que, para nós era uma cidade só .
ResponderExcluirAbração
Humberto Coimbra (filho + velho).